quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Numa manhã


De manhã abri meus olhos,
Descortinei minha mente

Rente à existência de Deus.

Tudo começa nessa esquina divina,
No pensamento pós noturno,
Inaugural de mais um dia
De renovada sina.

Lembro que tudo começa com Deus.
Tudo no meio é consigo.
E o meu fim,
O que direi?

No ínterim fracionado do despertar,
Ao sair à labuta,
Elevo vapores aos céus
Até que sento
E me lembro
De quem deveria ser.

Mas descanso naquilo
Que não mais sou.

E levito.


Fé como é

Não me peça para ter fé.
Não me peça para não tê-la.
Não me pregue a peça
De ver razão última ou primeira
Na maneira que tudo
É.


A fé é assim mui ligeira
Saltimbanca, saltitante,
Saliente, reticente,
Argamassa e peneira.


A fé (talvez a verdadeira)
Oscila da alegria à tristeza,
Da comédia ao drama,
Eletrocardiograma
Dos seres de dezenas de milhares de
Gramas.

Conforme a de um qualquer
Minha fé
É.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Idas e Vindas


O que vai / volta.
Não sei se demora / Não sei se agora
Mas que volta
Volta.

O que vai (ai!) / É escolha nossa.
O que volta (olha...) / Opção não importa.

Dizem que vingança
É cavalo que a galope / retorna.

Vingança que nada!
Besteira danada!

Paulo da Bíblia / Newton da Física
Sabiam bem disso:

O que volta

É colheita.

29/09/2009

Holístico


Nem tudo é átomo
Nem tudo é molécula, colher de matéria,
Energia escura, oculta matéria,
Buraco negro,
Elétrons, prótons, nêutrons,
Quarks.

Nem tudo é ligação química
Impulsos elétricos, corrente, amperagem,
Sinapses.

A medida do que se pode
É sinopse.

De qual enredo?

21/10/2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A caixa

Meu Pai
É uma caixa
Onde minha liberdade
Se encaixa.

Escolho a faixa da caixa
Pois minha alma é gasosa
E assim tão espaçosa
Deseja encher
Todo lugar.

Tive que fazer a escolha

Ou me contento com a bolha
Ou minha alma se mistura
Com o ar.

A caixa, de fato,
É muito boa.

Ter uma caixa
É ter extensão
Pra se achar.

Eufemismos

Meus credos se cruzam num ponto
Que aponta ao céu.

Duas linhas perpendiculares
Me levaram a lugares
Jamais pensados.

O cruzeiro do sul
Dá a direção
E uma vaga lição
Da cruz.

A cruz sobre o peito
E a cravada na vastidão
São eufemismos
Dos cravos do milênio passado
Do martelo a que me submeto.

Corpo estranho

Lembro de Deus todos os dias,
Sei que Ele me leva consigo.
Mesmo quando o meu olho
É devoto
Ao umbigo.

Não visito Deus no domingo
Pois visitar quem mora na casa
Não faz sentido:
Ele mora na casa que eu moro
É o primeiro a ouvir quando oro
É o primeiro a ver as lágrimas que choro.

Ele não é estranho distante
É conhecido e estranho
Comigo.